terça-feira, 7 de setembro de 2010

Preciso mesmo postar um texto inicial, né?

Ok. Vamos lá:
Em primeiro lugar vou me apresentar e apresentar a função desse blog.
Sou Isac. Sou arquiteto, moro em São Paulo. Sou ácido e extremamente crítico. 

Resolvi criar esse blog para ele ser minha voz. Minha voz em um mundo que, se você está me seguindo também deve pensar assim, parece ser feito por cegos, surdos, mudos e loucos.

Cada post será uma crítica severa, unilateral e impiedosa sobre determinados aspectos da vida cotidiana. Cada post será um grito. Vou gritar ao ver injustiça, ignorância e maldade. (quem me conhece e o leitor que passar a me conhecer vai entender que a maioria dos gritos será contra a ignorância). 

Não costumo medir as palavras. Acho melhor que meu leitor saiba o que se passa no meu cérebro. É para isso que ele está lendo meu post. Para saber minha opinião. As vezes um palavrão expressa melhor do que um parágrafo inteiro quando nos sentimos acuados ou injustiçados.

Não sou um cara vulgar nem sou gentinha, mas as vezes, quando vocês estiverem lendo o que eu escrevi, vão ter a absoluta certeza que estou espumando de fúria, chutando a parede e berrando aos quatro ventos. Fiquem tranqüilos. Depois dos berros eu me recomponho. Só não quero ter um AVC por ter absorvido coisas que eu poderia ter espalhado pelo resto do mundo.

Minha apresentação será melhor conforme for postando.

Escrevam, mas, por favor, lembrem-se que, para mim, uma pessoa não basta. Meu blog falará de coisas que comprometem o coletivo. Quer entender melhor?

Sabe aquela sua vizinha que é professora e que chega acabada em casa? Ela, que dá aula na escola pública e que têm 40 alunos na turma?

Pois é: ela possui 40 alunos. 30 estão alfabetizados. Ela tenta trabalhar com os demais, mas eles são animais mirins. Insuportáveis, mal educados oriundos de famílias desordenadas. Os pais deles nunca abrem os cadernos e nem freqüentam as reuniões. Quando aparecem, dizem que é a professora que deve educá-los e se mostram despreparados para criar os filhos.

Aí eu digo o seguinte: Vamos criminalizar a procriação dessas famílias. E você, lê meu post HORRORIZADO com o que eu disse. Esquecendo que isso está acontecendo no seu bairro. 

Seu filho, estuda em um colégio particular com 12 alunos na turma. Só você sabe como está sendo difícil pagar e engole em seco quando vê um comercial de cerveja (sabendo que está sem grana para tomar uma geladinha). 

Seu filho cresceu, está com 15 anos e quer ir à uma festa (vai virar a madrugada) em um bairro afastado. Acho justo que ele saia porque, oras, é um garoto e deve se divertir. Mas ele não pode ir porque a cidade é um caos. Violência por toda a parte e você sabe que é perigoso. Precisa zelar pela integridade física e psíquica do seu filho. Ele fica furioso porque não é justo que ele não se divirta. Espera um pouco: ele é seu filho. Você sabe quem criou. Sabe que ele é bom. Que estuda, que lê, que conta tudo para você. Que conversa e que principalmente confia em você. Poxa você sabe que quando um adolescente está com os amigos o tempo passa voando e ele é um bom garoto. Parabéns. Você colocou a pessoa errada atrás das grades.

Se você deixa ele ir, ele vai numa boa, lá oferecem um baseado (ou sei lá como chamam as drogas hoje em dia). Jovens são fáceis de manipular e eles podem até (ingenuamente) levar um "pacote" para alguém. Ele também pode acabar bebendo algo ilícito e ser submetido à brincadeiras humilhantes (ou até coisas bem sérias que de brincadeira não tem nada). Parabéns. Seu filho é, ao mesmo tempo, um marginal e um garoto cheio de traumas e complexos.

Ah! Não entendeu nada, não é mesmo? Acontece que os pais garotos que humilharam seu filho ou que tentaram induzi-lo à alguma droga ou que, espertinhos, pediram para seu filho entregar algo à alguém são aquelas pessoas cuja criminalização da procriação pessoas como você acham desumanas. A escola pública foi um exemplo, mas há pessoas cuja procriação deveria ser proibida em todas as classes. Existe gente rica que não pensa duas vezes em levar a melhor. E acredite: eles não olham os cadernos dos filhos e nem colocam limites nas atitudes deles. Por isso que, as vezes, vemos um ou outro colocando fogo em mendigos ou índios vivos. 

Então vamos melhorar a proposta: Nada de criminalizar a procriação. Vamos criminalizar a procriação não autorizada. Temos burocracia para tudo mesmo. Então agora é o seguinte: para ter filho, vai ser necessário primeiro ter casa, ter carro, ter carreira, ter formação e ter lido pelo menos um livro para cada mês de vida. (você vai ver como muita mãe vai deixar o sonho da maternidade rapidinho). Para ter um filho será necessário ter acompanhamento psicológico por pelo menos cinco anos e podemos até criar uma espécie de curso superior para tal. Teríamos matérias sobre gerenciamento do lar, construção do conhecimento, relacionamento familiar, etc.

Enquanto as pessoas não entenderem que criança requer atenção, cuidado e preparo por parte de quem a cria, vamos continuar dando de frente com essas tranqueiras que nos impedem de ser livres.

Aí você diz: Ah! Isac, você acha que isso vai resolver o mundo?

Não, eu não acho, mas... você tem uma idéia melhor? Qual o resultado que a sua idéia vai proporcionar?

Eu não tenho filhos porque não quero esse tipo de preocupação. Mas não adiantou. Quando eu ando na rua,  vejo um pedinte mirim, eu sinto como se fosse minha responsabilidade. É como se aqueles que não tiveram filhos fosse um pouquinho pais de cada criança do planeta.

Mal posso esperar para o próximo post.

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